sábado, 25 de junho de 2022

A MAÇONARIA MODERNA

 

 

Pode um católico ser mação?[1]

 

Mais uma consulta, e uma consulta cuja solução é capaz de sacudir os chifres de Satanás e de sua coorte. Pouco importa: a verdade está acima de tudo, e não teme nem os satanases do outro nem deste mundo, porque a verdade é de Deus, é o próprio Deus: Ego sum veritas (Jo 14, 6).

 

I. Consulta e resposta

 

Um católico escreve: Sr. Padre Júlio Maria. Sou católico, apostólico, romano; como tal entrei neste mundo, como tal pretendo dele sair; porém acontece que um amigo me convida, há um ano já, para eu entrar na maçonaria, aduzindo que é uma sociedade de beneficência, e que posso ser perfeitamente bom católico e mação. Peço ao senhor indicar-me o que há nisso de verdade. Antes de tudo, sou católico; podendo aliar os meus deveres de católico aos compromissos da maçonaria, aceitarei o convite; não o podendo, rejeitá-lo-ei, sem hesitação. Queira elucidar esta questão, e dizer-me com a sua conhecida competência e clareza o que há a este respeito, e qual é a doutrina da Igreja. Agradecendo a resposta, peço a V. Revma. aceitar os meus respeitosos sentimentos. - P. N.

Eis o que é falado para ser compreendido. A franqueza, a lealdade, a sinceridade e a docilidade do meu digno consulente elevam-no bem alto, no conceito do leitor; tanta grandeza d'alma merece uma resposta clara e positiva. Quero dá-la. A questão é de uma atualidade palpitante, sendo, além disso, de uma necessidade absoluta, no caos de calúnias e mentiras que os inimigos da religião espalham em toda parte.

Procurarei satisfazer plenamente o amigo, mostrando-lhe claramente o que é a maçonaria, donde ela vem, o que ela pretende, e quais os meios que ela emprega para conseguir o seu fim.

Depois destas considerações rigorosamente certas, o amigo tirará, ele mesmo, a conclusão, conforme os ditames de uma consciência reta e esclarecida.

 

II. O que é a maçonaria

 

A melhor definição é a de nosso Senhor: Falsos profetas, que vêm a vós, com vestidos de ovelhas e por dentro são lobos rapaces. - Pelos seus frutos os conhecereis: porventura colhem-se uvas dos espinhos? (Mt 7, 15).

É a melhor definição. Mas não basta definir. Procuremos conhecer-lhes a história misteriosa.

Donde vem a tal maçonaria? Mação, franco-mação, pedreiro livre, como o seu nome indica, era no princípio uma vulgar associação de pedreiros (maçons, em francês). Tal associação foi fundada na idade média entre pedreiros, ocupados nas grandes obras arquitetônicas daqueles tempos.

Havia aprendizes, oficiais, mestres. Mais tarde, com a sucessiva decadência da arquitetura, tornaram-se essas associações mais ou menos supérfluas. Por isso os pedreiros-livres abandonaram o seu fim primitivo, pondo a mira em objetivos diversos. A princípio, os mações nada tinham de hostil ao cristianismo, nem à Igreja católica.

No ano de 1717 operou-se, porém, uma mudança radical no seio da antiga maçonaria: quatro lojas se fundiram numa só, elaborando estatutos novos e adotando ritos especiais. Os ministros protestantes Teófilo Desagulier e James Anderson, mais o arqueólogo George Taine, escolheram para o cargo de grão-mestre um tal sr. Antônio Sayer; deu-se isto em Londres, aos 24 de Junho do referido ano, razão por que este dia (festa de São João Batista) é geralmente considerado como data de fundação da maçonaria moderna.

 

III. Sua base religiosa

 

A base filosófico-religiosa desta loja era o deísmo, sistema que reconhece e cultua um supremo Arquiteto do universo. Nega, porém, qualquer intervenção divina no governo do mundo, e rejeita os dogmas revelados. Nos seus primórdios, portanto, a atual maçonaria não se declarou ateia, mas, sim, anticristã.

Convém não esquecer que a evolução filosófico-religiosa da maçonaria não é a mesma em todos os países; cada nação imprimiu às suas lojas um cunho característico mais ou menos diverso do das outras semelhantes. Assim tem havido e há lojas que exigem dos seus candidatos, como condição de admissão, profissão do cristianismo, como acontecia, por exemplo, na Suécia.

O artigo 1° da constituição da maçonaria francesa, ainda em 1877, rezava assim: “A maçonaria tem por base a existência de Deus e a imortalidade da alma”. Mais tarde, porém, o Grande Oriente mandou eliminar tudo o que se referisse a Deus.

A Itália foi-lhe nas águas, ateizando também as suas lojas e declarando alto e bom som que daí por diante Deus deixava de governar o universo.

A revista maçônica berlinense “Herold”, declara sem rebuços: “O nosso inimigo é o ultramontanismo (a Igreja católica); quebrar o seu poder é o nosso fim” (5 de Dezembro de 1909, n° 45). O grão-mestre Cocq, da maçonaria belga, fez, no congresso maçônico de 1900, esta declaração: “O que é necessário é acabar com a religião, porque dela se aproveita o clero para enganar as massas populares. A guerra entre a maçonaria e a Igreja é de vida e de morte - guerra sem tréguas e sem perdas”. (Bulletin des Travaux du Suprème Conseil de Belgique, nº 51, pg. 59).

 

IV. Espírito anticristão

 

Em 1877 a maçonaria inglesa, e mais tarde a loja alpina da Suíça, como também a dos “Três Globos”, de Berlim, romperam as relações com a maçonaria francesa, pelo fato de haver esta suprimido a fórmula tradicional: “Pela glória do grande Arquiteto do universo”.

À frente do Grande Oriente Francês se acha o conselho da Ordem, composto de 33 membros, que se obrigam a não pertencer a religião alguma nem eles nem suas famílias (Gr. Oriente, 1893).

Ainda mais claramente se manifesta este espírito anticristão e anticatólico, na maçonaria italiana. Quando o ministro Deprete, grau 33, procurava resolver pacificamente a “questão romana”, entre o Vaticano e o Quirinal, a loja enviou-lhe uma nota enérgica, lembrando o juramento de obediência prestado à maçonaria, e intimando-o com o artigo 23 das leis universais das sociedades secretas, artigo que diz assim: “O mação, investido de cargos públicos, tem a obrigação de respeitar o programa da maçonaria; e não o fazendo, comete crime de rebelião contra as ordens e decretos do Grande Oriente”.

No decorrer dos tempos, estas lutas de hostilidade à religião não têm mudado senão para pior, e esta mudança consiste em esconder melhor as tramas e planos de luta.

A maçonaria age às escondidas. Ela é fraca, no fundo, mas para dar-se ares de poder, ela recruta em todas as camadas da sociedade sócios ignorantes, unicamente para fazer número. Depois prevalece-se deste número, não querendo saber se tais sócios são ou não são maçãos militantes.

E o que explica como entre nós, no Brasil católico, há maçãos que, com a maior boa fé e simplicidade mais ingênua, ficam admirados quando se lhes diz que a maçonaria é uma seita perversa.

Não querem acreditá-lo, porque - dizem eles - nunca ouviram, nem viram nada, na maçonaria, que a religião condenasse.

Pode ser, porque fazem apenas número, ignorando tudo, e servindo apenas à maçonaria pela mensalidade que pagam, pela sua influência moral e o número de sua pessoa. Já é bastante: contribuem indiretamente para o mal que a maçonaria vai fazendo.

 

V. Espírito diabólico

 

A maçonaria, na Itália, atingiu o auge do ódio ao cristianismo, glorificando a Satanás como símbolo da razão e da rebelião contra Deus. A “Rivista della Massoneria Italiana” (1906, pg. 157), conferiu a Satanás o título honorífico de “o grande”. Em ocasiões solenes é cantado publicamente o hino a Satanás, composto pelo mação Josué Carducci no qual ocorre esta estrofe:

 

Salute, Satana! O Ribellione!

O forza vindice della Ragione!

 

Isto é: Salve, Satanás, ó gênio da rebelião, ó força vingadora da razão!

 

Este hino diabólico foi cantado em Roma a 27 de Agosto de 1893, no “Teatro Umberto”, como também em 1893, por ocasião da inauguração do monumento ao famigerado mação Garibaldi.

Não foi tudo: Na inauguração do monumento em honra do célebre Mazzini (22 de Junho de 1882), e na grande manifestação de Gênova (20 de Dezembro de1883), as lojas mandaram levar pelas ruas da cidade um estandarte preto, com a figura de Satanás, cor de fogo; e os oradores afirmaram em público e raso que era intuito da sociedade plantar o pavilhão de sua majestade satânica no topo do Vaticano e em todas as igrejas da Itália. Verdade é que a maçonaria inglesa e a americana não chegaram ainda a estes excessos; e houve tempo em que as lojas sul-americanas se mostraram até certo ponto tolerantes, não faltando mesmo “irmãos” que julgavam poder congraçar o programa maçônico com o da Igreja católica.

Compreende-se essa singular tendência sincretista, quando se considera que a maçonaria é uma sociedade secreta, que não revela os segredos mais íntimos a qualquer dos seus membros. Não são poucos entre nós os maçãos que se dizem cristãos e até católicos, devido à circunstância de não terem conhecimento exato de uma “última palavra” da seita. O mação de verdade, inteirado dos fins característicos da sociedade, considera a ideia de “mação-católico” tão absurda e impossível como o conceito de um “círculo quadrado”. Um conceito exclui o outro.

Desde os fins do século passado, a maçonaria sul-americana estreitou relações mais intimas com as lojas da Europa; atualmente todas as lojas daqui se acham aliadas ao Grande Oriente de Paris, que as mantém em dia com o movimento e as aspirações da seita, por meio do “Bureau da maçonaria internacional”, cujo objetivo é a república mundial ateia (Congresso, 1900, 31 de Agosto até 2 de Setembro).

Em 1905, interrogado sobre as relações da maçonaria com o catolicismo, o Grande Oriente deu a seguinte resposta, que trasladamos em tradução textual: “O mação não pode ser católico, nem o católico pode ser mação: a incompatibilidade é radica”.

“O mação tem até a imperiosa necessidade de combater a Igreja católica, o maior óbice aos fins da maçonaria”. (1905, Março, ano 40, n° 3, pág. 172).

 

VI. Os segredos maçônicos

 

A maçonaria é uma sociedade secreta. Disso fazem fé o seu ritual, o aprendiz mação e outros livros adotados. E qual é este segredo? O segredo é de ser o mação um instrumento entre as mãos de seus chefes, para fazer o que eles mandem fazer, sem revoltar-se, sem reagir, sem falar, sob ameaça da pena de morte.

A maçonaria é uma associação, cujo fim é fazer o mal, e proteger os malfeitores. O que é bom não teme a luz do dia; o que é ruim e perverso esconde-se o mais possível. A maçonaria esconde-se porque é perversa; ela exige o sigilo mais rigoroso sobre todos os seus manejos, para poder fazer o mal e não ser descoberta.

Tudo isso é absolutamente certo. Por que estes juramentos horríveis, que arrepiam, pronunciados por seus adeptos? Para assegurar-lhe a impunidade. Não será sem interesse este juramento diabólico que é exigido dos sócios. Leiam bem esta solene e diabólica obrigação, que é extraída textualmente do ritual, oficialmente adotado pelo Grão Oriente do Brasil:

Juramento: Eu F... juro e prometo, de minha livre vontade, pela minha e honra e pela minha fé, em presença do supremo Arquiteto do universo, que é Deus, e perante esta assembleia de maçãos, solene e sinceramente, nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria, que me vão ser confiados, senão a um bom e legitimo irmão, ou em loja regularmente constituída; nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro mais ajudar e defender os meus irmãos em tudo que puder e for necessário, e reconhecer como única potência legal e legítima no Brasil o Grão Oriente e Supremo Conselho do Brasil, ao qual prestarei inteira obediência. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus e desonrado para com os homens. Amém.

Eis uma fórmula de juramento diabólico, que só pode exprimir e esconder coisas diabólicas. Um tal juramento é sem valor perante a consciência, porque é contra a natureza, a dignidade, a fé e o bom senso.

E por que tantas blasfêmias? Será para fazer o bem? Nunca!... Podemos esconder o bem que fazemos, mas sem juramentos e blasfêmias. Só pode ser para fazer o mal.

O mação deve esconder aos seus pais, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus amigos, o que perpetra nestes antros tenebrosos, onde se combinam o assassínio, o envenenamento, o roubo, a desonra, a desgraça, a perda dos lares e das nações. Tudo isto deve ficar secreto, por que é horrível, é abjeto.

De tal juramento pode-se concluir, sem maior exame, que a maçonaria é uma sociedade abjeta, imunda, nojenta, para qualquer pessoa de brio e de dignidade. Pode haver maçãos ignorantes e tolos, porém pertencem a uma associação nefanda, abjeta, que só merece a repulsa.

Meditem sobre este juramento as pessoas sensatas e digam-me se é digno de um homem entregar-se, de mãos, pés e língua ligados, a chefes que nem conhece, a segredos que ignora, a tomar compromissos que a consciência e a honra repelem?

Hão de obedecer, custe o que custar. A maçonaria pode dar-lhes a ordem de assassinar a própria esposa, de apunhalar os próprios filhos, e o mação, feito um miserável escravo, é obrigado a obedecer. É a escravidão... é a abjeção, é a degradação da raça humana. Pobres maçãos, abri os olhos!... E vós, homens livres, quebrai as algemas infames com que vos querem acorrentar!

 

VII. A maçonaria brasileira

 

Há quem diga que a maçonaria brasileira não é hostil ao cristianismo e à Igreja católica. Vejamos o que dizem os documentos oficiais: O congresso maçônico rio-grandense de 22 até 26 de Junho de 1902 diz, entre outras coisas: “A maçonaria tratará de combater o clericalismo no Estado, negando aos padres recursos de qualquer natureza. -- A maçonaria tratará de demonstrar que a Igreja católica, apostólica, romana, não é a executora dos princípios do cristianismo”. Que tal?

Entre as teses votadas pelo congresso maçônico brasileiro do Lavradio em 1909, encontram-se os seguintes dispositivos: “A maçonaria se empenhará para que seja supressa a legação junto à Santa Sé; que se torne obrigatória a precedência do casamento civil; que se decrete o divórcio a vínculo; que se negue a competência especial aos representantes das religiões para a catequese e civilização dos selvagens; que seja condenada como contrária à moral, retrógrada e antissocial, a existência de corporações religiosas que segregam seres humanos da sociedade e da família”.

São essas as piedosas aspirações da cristianíssima maçonaria brasileira. Quem quiser crer, consulte os arquivos do referido congresso, ou outros semelhantes.

Pergunto se pode dizer-se cristão ou até católico o homem que nega a eficácia do batismo; que advoga a calamidade moral e social do divórcio; que não conhece a Igreja católica fundada por nosso Senhor; que invectiva contra o papa; que diz mal das Ordens e Congregações Religiosas, que constituem a fina flor da perfeição evangélica?...

Pergunto se é cristão o mação que recusa o batismo? Se pode chamar-se católico quem não reconhece a Igreja católica, como fundada por nosso Senhor Jesus Cristo?

 

VIII. A Igreja e a maçonaria

 

Tudo o que acabamos de dizer são argumentos humanos, capazes de esclarecer um homem de boa vontade; mas temos mais que isso: temos um argumento divino. Este argumento é a decisão da autoridade suprema da Igreja. Roma locuta est, quaestio finita est, dizia Santo Ambrósio: Roma falou, a questão está resolvida. A maçonaria é uma sociedade condenada e até excomungada pela Igreja. Não é de hoje que a Igreja católica é contrária à maçonaria. Condenaram-na os seguintes papas:

Clemente XII, na constituição “In eminenti”, de 28 de Abril de 1758.

Bento XIV, na constituição “Providas”, de 18 de Maio de 1751.

Leão XII, na constituição “Quo graviora”, de 13 de Março de 1825.

Pio VIII, na encíclica “Tradit”, de 24 de Maio de 1829.

Pio IX, na constituição “Apostolicae Sedis”, de 12 de Outubro de 1869.

Leão XIII, na constituição “Humanum genus”, de 20 de Abril de 1884.

Finalmente, Bento XV, no Código do Direito Canônico. Pelas disposições do código, cânon 2.335, todos aqueles que se inscreverem na maçonaria incorrem na pena de excomunhão, reservada à Santa Sé.

Os vigários não podem fazer encomendação e ofícios fúnebres em favor dos maçãos notórios, a não ser que tenham dado sinais de arrependimento antes da morte (cânon 1.240, § 1 1º). Os clérigos são proibidos de fazer a encomendação religiosa de cadáveres que são conduzidos com emblemas maçônicos (S. Penitenciaria, 20 de Março de 1885).

Não se pode permitir o comparecimento oficial de maçãos a qualquer ato religioso, nem pode o clero celebrar missas ou ofícios religiosos a convite da maçonaria (S. C. S. Officii “ad Ordinarios Brasiliae”, 5 de Julho de 1875).

Não se pode admitir maçãos notórios para padrinhos de batismo ou de crisma (S. C. S. O. 5 de Julho de 1878; Código, cânon 766, 2º e 769). Não se pode admitir maçãos ao sacramento do matrimônio com as solenidades católicas (S. C. do S. O., já citada, e Cons. Plen. A. Lat. n. 175).

Não se pode receber validamente em associações católicas pessoas filiadas à maçonaria (Código, cânon 693).

Pecam gravemente as pessoas que tomam parte em festas e bailes maçônicos ou promovidos pela maçonaria (S. C. de Prop. Fide, de 15 de Julho de 1876).

Alerta, pois, católicos! Zelemos pela nossa crença, fazendo a contrapropaganda maçônica. Sejamos católicos até à morte. Detestemos a maçonaria, que pretende colocar o seu domínio acima do próprio Deus e da sua santa Igreja.

 

IX. A consciência e a maçonaria

 

Depois destes pontos elucidativos, perguntemo-nos, com sinceridade, se um católico pode ser mação, e se um mação pode ser católico. As respostas já estão dadas; resumamo-las para melhor gravá-la na mente.

Há alguns anos que monsenhor Ketteler, bispo de Mogunça, um dos mais sábios prelados da Alemanha, espírito vasto, foi levado a esta questão sobre que publicou um trabalho seu, com o título: Pode um católico ser franco-mação? A sua resposta fá-la-ei minha, e após o breve estudo que precede, respondo: não, não, um católico não pode ser mação!

E por quê? Porque a maçonaria é inimiga irreconciliável do catolicismo.

Vamos adiante, e pergunto: Pode um homem sério ser mação? Não, é impossível, porque a maçonaria é perversa em seu fim e em seus meios. A incompatibilidade é tão radical e tão flagrante que a própria maçonaria confessa o antagonismo.

Eis o que diz o boletim do Grande Oriente do Brasil, de Março de 1915, pág. 172: “O mação pode ser católico romano? O católico romano pode ser mação?” - Não pode: a incompatibilidade é radical. Não; o mação não pode ser católico, nem o católico pode ser mação. Este tem até imperiosa necessidade de combater a Igreja católica, o maior óbice aos fins da maçonaria. Não; o católico romano não pode ser mação, nem o mação pode ser católico... Admitir o contrário seria glorificar Jânus, o deus que era bifronte, mas que, apesar disso, não tinha dois corações para vibração acorde de sentimentos opostos. Por nós ou contra nós. Ou católico ou mação”. Eis o que é claro e dispensa comentários. Ou Deus ou o demo. Ou a Igreja ou a loja. Ou o Cristo ou o bode preto. Ou o céu ou o inferno.

Não podeis servir a dois senhores, disse o divino Mestre. Aqui, no caso, estes dois senhores excluem-se completamente, e não podem ter o mínimo contato. O católico deve ser o amigo de Deus. O mação é inimigo de Deus.

A sociedade rejeita a maldita seita da maçonaria, a Igreja a excomunga; a nossa consciência deve, pois, desprezá-la, fugir dela e combatê-la.

 

X. A maçonaria e o clero

 

Até há pouco tempo, esforçava-se a maçonaria no Brasil por se mostrar uma instituição de todo desinteressada pelo problema religioso. Acolhia no grêmio secreto adeptos de todos os lados. A sua propaganda junto aos elementos católicos era feita, sorrateiramente, sob o disfarce de que, lá nas alfurjas, não se cogitava de perseguir o ideal sagrado de nossa fé. Quando a voz infalível da Igreja proclamava que a maçonaria é inimiga de Deus e da religião, surgiam protestos das “lojas”, classificando de intolerante a atitude das autoridades eclesiásticas.

Chegamos, felizmente, a um tempo, em que a maçonaria já não pode ocultar o seu segredo e vem a público, por meio da imprensa a seu serviço, revelar-se tal qual é, como a Igreja sempre a considerou, a organização de todas as forças do mal para combater a doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo. Os católicos, ainda os mais ingênuos, já não podem iludir-se acerca dos seus desígnios tenebrosos.

Também em nossa terra, o grão-mestrado obedece à palavra de ordem do congresso internacional de Paris, que determina: “Não basta combater a influência do clero; o que deve ser destruído é antes o instrumento de que o clero se serve para subjugar as massas, -- é a própria religião”.

Por que a maçonaria, nesta terra de crentes, cujas tradições são as mais vivas e arraigadas, desmascara-se e vem, pelos seus órgãos de publicidade, ameaçar os católicos de uma campanha de insultos contra os guardas do patrimônio da fé? É que a maçonaria, tomada de intensa irritação contra o governo, que promulgou o decreto de 30 de Abril de 1931, instituindo o ensino religioso facultativo nas escolas do país, não consegue dominar o seu despeito, traindo, assim, o seu ódio à fé professada desde o berço pelo povo brasileiro.

Profetiza, então, que a religião vai morrer e já agoniza... Não morreu na Rússia, onde tem sido perseguida a ferro e fogo. Ainda agora, por ocasião do Natal, foi oficialmente lamentado pelo governo de Moscou que ainda continuassem abertas inúmeras igrejas, apesar dos ingentes esforços para se estabelecer o ateísmo em toda as classes.

Uma legislação de guerra encarniçada à espiritualidade do indivíduo e da família tem conseguido afundar, na miséria moral mais nefanda, gerações inteiras de “sem-Deus”. Mesmo assim, não se pôde ainda, na república dos sovietes, extirpar o amor a Cristo nas almas que se não deixaram enlamear pela corrupção generalizada. Muitas igrejas ainda são frequentadas na pátria do bolchevismo.

No México, enquanto Calles passou para o rol dos monstros, a figurar ao lado de Nero e Diocleciano, a Igreja, que ele tentou aniquilar com martírios, apresenta a mesma pujança dos outros tempos.

As leis maçônicas de Portugal e da França, opressoras do pensamento do povo, jazem hoje no número das coisas retrógradas e arcaicas... Em Paris e em Lisboa, há as mais belas e comovedoras manifestações, por parte da juventude dos nossos dias, em favor da religião, cuja morte os pobres maçãos andam a proclamar para breve...

Ainda recentemente, a ditadura do general Carmona fechava um reduto maçônico, de onde partira a inspiração de um movimento sedicioso contra as autoridades. Os chefes mais graduados da maçonaria portuguesa foram postos na fronteira, como incompatíveis com o regime da ordem no país.

Na França, o infeliz finado presidente da república, sr. Doumer, abandona as lojas, batendo o pó das sandálias, com essas verdades descoroçoantes, ditas bem alto para que todos o ouçam: “Rompi com a maçonaria, a fim de me desembaraçar de uma clientela que me desonra”. E acrescenta: “A maçonaria passou a ser, e é, um corrilho, uma casta, de onde parte a delação, o baixo regime da espionagem, do favoritismo, do internacionalismo”. É preciso notar que este presidente da república da França não era sequer católico... já se vê que têm razão os nossos pontífices da Igreja em condenar a maçonaria, como inimiga irreconciliável da religião. É forte a animosidade da seita negra contra o clero.

 

XI. Conclusão

 

Em resposta ao meu digno consulente, tenho apenas a dizer que não pode, de nenhum modo e por motivo nenhum, entrar na horrenda, maldita e criminosa seita que é a maçonaria.

E não somente não se pode entrar em suas fileiras, mas não se pode, de nenhum modo, assistir às suas reuniões, nem mesmo por mera curiosidade, nem mesmo às suas festas; não podem concorrer com dinheiro para os seus estabelecimentos de fingida caridade; não podem lecionar, muito menos pôr seus filhos em seus colégios ou escolas; não podem prestar seus serviços à seita ou às suas reuniões, como artistas ou mesmo como simples operários.

Perguntar se a Igreja tem o direito de proibir a maçonaria aos católicos, vale o mesmo que perguntar se um pai tem o direito de proibir a seu filho de entrar numa determinada casa, ou tomar parte numa certa sociedade ou reunião. Assim, a maçonaria sendo, como de fato é, condenada pela Igreja, o católico com ela não pode ter relação alguma de convivência. Querer ser, ao mesmo tempo, mação e católico, além de não ser permitido, não é sério, não é decoroso -- é absurdo.

O mação está completamente separado da Igreja, ainda que, por sua ignorância, julgue que pode ser católico e mação, ao mesmo tempo. Não o pode de nenhum modo; e tais católicos vivem completamente iludidos. O catolicismo é um só, e o protestantismo, espiritismo, bolchevismo, maçonismo, são seitas condenadas, perversas, em luta contra esta mesma Igreja.

Como, pois, um católico poderia ser, ao mesmo tempo, filho, inimigo e perseguidor da mesma religião? Aos adeptos da maçonaria, os católicos não devem, em hipótese alguma, dar seus filhos para afilhados. O mação está completamente separado da Igreja, ainda que por sua ignorância julgue que pode ser católico e mação ao mesmo tempo. Os católicos estejam, pois, alerta e não se deixem seduzir pelas insinuações dos filhos da viúva alegre.

Vamos, católicos, sejamos de Deus... longe de nós o demônio e seus sequazes!


Conferir também:







[1] Extraído do livro O Anjo das Trevas, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde.

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