O vocativo exerce função essencial para a perfeita compreensão de um texto, ainda que se trate de um texto informal.
Por exemplo, se num escrito alguém diz a seguinte frase: “estou vendendo gente!”, o leitor, com efeito, ficará horrorizado ao lê-lo! Se o que se quer é chamar ou interpelar alguém para informar-lhe que se está vendendo algo, o correto é: estou vendendo, gente!
Mas o que é de fato um vocativo? Segundo Carlos Nougué (em A Arte de Escrever Bem na Língua Portuguesa, p. 366): "É a função sintática exercida por nome (ou grupo nominal) apelativo, ou seja, o que se usa para chamar, interpelar, dirigir-se ou a alguém ou a animal, ou ainda a coisa personificada" (sublinhamos).
Em outras palavras, se queremos chamar, interpelar ou simplesmente nos dirigir a alguém (ou a animal ou a coisa personificada), devemos utilizar o vocativo. Quando vemos, por exemplo, um amigo e dizemos: José, venha cá – a palavra José indica um apelo, um chamamento, e é, pois, um vocativo.
O vocativo deve sempre separar-se da oração por vírgula ou por ponto de exclamação (ou por outro sinal de pontuação), e pode se deslocar na mesma oração, ou seja, pode encontrar-se no início, no fim, ou intercalado de algum modo na oração. Exemplos:
- Amigo, escute-me.; (início)
- Ouça, querida, as palavras que te direi.; (intercalado)
- Escute o que te direi, menina. (fim)
Quando intercalado, o vocativo vem necessariamente entre vírgulas ou entre vírgula e ponto de exclamação. Por exemplo:
- Ajude-me, ó Maria, neste empreendimento. (ou Ajude-me, ó Maria! neste empreendimento.)
Pelo exemplo acima se pode notar que o vocativo pode ser reforçado pela interjeição ó:
- Ó Maria, ajude-me. (ou Ó Maria! Ajude-me.; ou ainda Ó Maria! ajude-me.);
- Ó querida, aonde vais?
Observação. As palavras senhor, senhora, senhorita que se seguem a sim ou a não separam-se por vírgula, porque, neste caso, exercem a função de vocativo. Exemplos:
- Não, senhor!
- Vou, sim, senhora.
- Sim, senhorita, chegaremos amanhã.
Ordinariamente, como o dizem Rocha Lima e Carlos Nougué, a vírgula que se põe neste caso (p. ex.: vou, sim, senhor!) para frisar melhor o vocativo não equivale a pausa na fala. A palavra senhor é enunciada sem solução de continuidade com a partícula sim.
Portanto, caro leitor, agora que aprendeu a usar o vocativo, nunca mais escreva: "estou vendendo gente!", sob pena de ser enquadrado no crime de tráfico de pessoas...
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Willian Mitre

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